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René
Descartes (1596 - 1650)
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René
Descartes nasceu em La Haye, na França, e faleceu em Estocolmo
na Suécia. Sua família era rica e ele estudou no colégio
jesuíta de La Flèche, dos oito aos dezesseis anos,
aonde veio a se interessar muito por Matemática e Filosofia.
Um fato curioso, que teve início nessa época, foi
que, devido à sua frágil saúde, era permitido
ao jovem Descartes permanecer na cama até as onze horas da
manhã. E ele manteve este hábito até o final
de sua vida.
Em 1618, após
concluir um curso de Direito na Universidade de Poitier em Paris,
com a duração de dois anos, alistou-se na escola militar
de Breda, viajando por diversos países da Europa. Após
abandonar a carreira das armas, foi para a Holanda, onde começou
a trabalhar em seu maior tratado de física: Le
Monde, ou Traité de la Lumière. Quando estava
preste a terminar, a notícia da condenação
de Galileo
à prisão domiciliar chegou aos seus ouvidos, e Descartes
achou melhor não publicar sua obra. De fato, ela só
foi publicada, parcialmente, após a sua morte.
O
Mundo, ou Tratado da Luz
Dedicou-se ao
estudo da Filosofia, dando continuidade ao dualismo platônico,
reconhecendo que a problemática do conhecimento envolvia
o homem e o mundo, sujeito e objeto, optou por solucionar a questão
através do sujeito. Assim, a razão humana é
a base da Filosofia cartesiana, que foi proposta em total sintonia
com o pensamento humanista, onde o homem é colocado no centro
da questão, como sujeito no mundo objeto. Descartes buscou
a solução das questões que o interessavam,
através de um procedimento essencialmente autobiográfico,
que consistia na descrição de seu procedimento individual.
Inicialmente,
estudou Matemática através dos manuais didáticos
do monge Clavius e, no decorrer de sua vida, leu autores que contribuíram
para o seu desenvolvimento matemático e filosófico:
Galileo, Copérnico, Viète,
Pitágoras, Cavalieri,
entre outros.
Matemático
francês, um dos precursores da álgebra moderna - utilização
de letras como símbolos para representar incógnitas.
O trabalho de
Viète, ajudou Descartes na formulação algébrica
para problemas geométricos, uma de suas mais importantes
contribuições matemáticas. Suas idéias
foram publicadas em 1637, em La
Géométrie, dando origem à Geometria
Analítica.
A
Geometria
Da relação
entre Geometria e Álgebra, estabelecida por Descartes, surgiu
a nomenclatura "coordenadas cartesianas", introduzida
por Leibniz
- cartesianismo, tirado de Cartesius, tradução latina
do nome de Descartes.
Seus principais
trabalhos, além de La Géométrie, foram: La
Dioptrique, estudo sobre o sistema ótico, no qual ele trata
da lei da refração; Le Météores, primeiro
trabalho de Meteorologia que tenta colocar o estudo do tempo em
bases científicas; Princípia
Philosophiae, em grande parte dedicado à Física,
especialmente às leis do movimento e à teoria dos
vórtices; Discours
de la méthode pour bien conduire sa raison et chercher la
vérité dans les sciences. Essa última
é sua obra mais famosa, na qual Descartes buscou provar racionalmente
a existência de Deus. Segundo seu pensamento, a presença
da dúvida no espírito determina a consciência
de uma "não dúvida", a consciência
da perfeição; o sentido do perfeito está nos
homens e em sua busca. Para Descartes esse foi o legado de Deus
aos homens. O sentido de verdade, inspirado pela onipresença
e onisciência de Deus, é o elemento mediador entre
a razão humana e o mundo. A utilização de um
argumento lógico, com base na racionalidade humana foi a
diferença básica estabelecida entre a Filosofia cartesiana
e a Doutrina escolástica: "penso, logo existo".
Princípios
da filosofia
Discurso
sobre o Método para bem consuzir a razão a buscar
a verdade através da ciência.
Descartes usou
os princípios do processo matemático como base para
a construção de seu método. Seu principal resultado
foi o de emancipar a prática do método matemático
para todas as ciências, ao afirmar: "As longas cadeias
de raciocínios tão simples e fáceis, de que
os geômetras costumam servir-se para chegar às suas
mais difíceis demonstrações proporcionaram-me
o desejo de imaginar que todas as coisas, a respeito das quais o
homem pode ter conhecimento, se seguem do mesmo modo, desde que
ele se abstenha de aceitar por verdadeira uma coisa que não
o seja e que respeite sempre a ordem necessária para deduzir
uma coisa da outra, nada haverá tão distante que não
se chegue a alcançar por fim, nem tão oculto que não
se possa descobrir".
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