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Maria
Gaetana Agnesi (1718 - 1799)
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Nasceu em Milão
em 1718, provinda de uma família rica e culta. Seu pai, Pietro
Agnesi, teve vinte e três filhos com suas três esposas,
sendo Maria a primogênita. Pietro tinha condições
de oferecer a Maria os melhores tutores para que ela pudesse ter
uma educação privilegiada. Dessa maneira, proporciono-lhe
uma educação privada primorosa, que lhe possibilitou
adquirir conhecimentos profundos em várias áreas,
o que não era hábito das damas desse século.
Aos nove anos
de idade, publicou um discurso em latim que defendia um ensino de
alta qualidade para as mulheres. Ao contrário do que muitos
pensaram, Maria não havia escrito o discurso, mas fizera
a tradução para o latim a partir do original escrito
por um de seus tutores. Entretanto, Maria fez o discurso em público,
sem recorrer à leitura, para uma audiência acadêmica,
organizada por seu pai.
Aos 13 anos,
além do italiano e do latim, sabia cinco outras línguas:
grego, hebreu, francês, espanhol e alemão e, por isso,
a chamavam de: O Oráculo das Sete Línguas.
Quando tinha 15 anos, o pai a introduziu num círculo de intelectuais,
onde todos se admiravam com a sua genialidade na área da
Matemática, da Física e da Filosofia.
Em 1738, publicou
uma série de estudos filosóficos chamado Propositiones
Philosophicae . Essa obra continha 191 teses que Maria defendera
publicamente na presença de importantes convidados nacionais
e internacionais. Seu pai os convidava e ela, apesar de não
apreciar muito falar em público, obedecia. Certo dia, Maria
confessou ao pai seu desejo de tornar-se freira, mas ele, desejoso
da companhia da filha, implorou-lhe que mudasse de idéia.
Maria aceitou apenas sob três condições: ir
à Igreja sempre que quisesse, vestir-se de maneira simples
e humilde e não precisar freqüentar festas, teatros
e outras diversões que considerava profanas.
Proposições
Filosóficas
A partir daí,
concentrou seus esforços para estudar Religião e Matemática.
Maria tinha que aprender Matemática praticamente sozinha
- um feito reservado a pouquíssImas pessoas - mas teve a
sorte de Ramiro Rampinelli, professor de matemática
da Universidade de Roma e Bolonha, chegar em Milão e se tornar
um assíduo freqüentador de sua casa. Foi ele quem a
ajudou a estudar os textos de Cálculo do matemático
Reyneau.
Através
de Rampinelli, Agnesi entrou em contato com o matemático
Riccati, que foi de vital importância na revisão
da obra que lhe daria grande reconhecimento. Esse trabalho foi publicado
em 1748, numa obra em dois volumes, intitulada Istituzioni
Analitiche ad uso della Gioventù Italiana com temas
de Álgebra, Geometria e Cálculo Infinitesimal. O aparecimento
desse livro causou grande sensação ser uma publicação
feita por uma senhora e desenvolvida com maestria, envolvendo questões
matemáticas consideradas profundas e difíceis.
Instituições Analíticas para o uso da Juventude Italiana
Tamanho foi
o sucesso dessa obra que a Academia de Ciências de Paris publicou
um relatório onde dizia: "...Muita habilidade, como
a autora demonstrou ter, foi necessária para reduzir e quase
uniformizar os métodos que estas descobertas geraram ao longo
dos trabalhos de matemáticos modernos, freqüentemente
muito diferentes entre si. Ordem, clareza e precisão reinam
em todas as partes deste trabalho... Nós o consideramos como
o mais completo e melhor tratado já feito."
A primeira seção
de Istituzioni Analitiche trata da análise de quantidades
finitas, dos problemas elementares de máximo e mínimo,
tangentes e dos pontos de inflexão. A segunda seção
discute a análise de quantidades infinitamente pequenas.
A terceira seção é sobre o Cálculo Integral
e apresenta uma discussão geral do estado do conhecimento.
A última seção trata do método inverso
das tangentes e das equações diferenciais. No volume
2 é apresentada uma extensa discussão sobre a curva
cúbica, conhecida como Curva de Agnesi.
A contribuição
matemática mais importante de Agnesi foi a primeira tradução
francesa dos Principia de Newton,
publicada postumamente em 1756, com um prefácio de Voltaire
e sob a direção de Clairaut.
Por volta de
1750, Agnesi foi convidada para ocupar a cadeira de Matemática
na Universidade de Bolonha, mas sua vida, em seguida, tomaria um
rumo completamente diferente. Com a morte do pai, movida pelos seus
sentimentos religiosos, deixou a docência e recolheu-se em
um convento para se dedicar aos que sofriam de doenças graves.
Quando a instituição Pio Istituto Trivulzo
foi aberta, Maria ficou encarregada de sua direção.
Esse Instituto era uma casa para doentes e enfermos, aos quais ela
se dedicou inteiramente, doando toda a sua fortuna e trabalhando
ali até a sua morte.
Maria era uma
pessoa delicada e muito tímida. Nunca teve ambição
de se tornar uma matemática famosa a despeito de seu gênio
brilhante. Alguns dizem que ela apenas se interessou por matemática
para agradar ao pai.
Não obstante,
a sua inteligência e o seu talento tornaram possível
integrar todo o conhecimento de mais alto nível sobre Cálculo
da época de uma maneira muito clara. Maria Agnesi é
reconhecida como a primeira mulher matemática a ter produzido
textos de alta qualidade científica.
Morreu em janeiro
de 1799, com 81 anos de idade, no seu hospital.
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